Osram retira “eco” das embalagens

O segundo maior produtor mundial de lâmpadas vai retirar a palavra “eco” das embalagens de lâmpadas de halogéneo. A Osram não considera que a embalagem possa confundir consumidor, mas o facto é que aplicar a palavra “eco” às lâmpadas menos eficientes do mercado induz o consumidor em erro, como sustentado por várias organizações ambientais europeias. A empresa defende que a utilização do termo não é proibida pela legislação Europeia, embora os regulamentos oficiais desaconselhem o seu uso. Para o Market Watch, este é um bom exemplo de como a sociedade civil pode induzir alterações rápidas mesmo em grandes produtores. Para mais informações, clicar aqui (em inglês).

Informação em falta; objetivo falhado

Os resultados finais do Projeto ATLETE II foram uma agradável surpresa para quem trabalha em Rotulagem Energética e Conceção Ecológica. O projeto uniu fabricantes, ONGs, agências de energia e especialistas, com a missão de averiguar se as máquinas de lavar roupa, um eletrodoméstico com peso relevante no consumo energético, cumpriam os regulamentos de conceção ecológica e rotulagem energética. O resultado foi 100% de conformidade em relação à classe energética, consumo de energia e aos requisitos mínimos, definidos no regulamento de conceção ecológica, para o consumo de água e energia. Uma melhoria considerável em relação aos resultados do projeto ATLETE I, o que é sem dúvida positivo! Os fabricantes estão a respeitar as diretivas e a Europa está a beneficiar da redução no consumo energético. Mas qual será o resto da história?
As seguintes percentagens referem-se às taxas de conformidade das máquinas de lavar roupa testadas:

  • 92% de conformidade global em relação aos parâmetros de desempenho funcional (por exemplo, centrifugação);
  • 84% de conformidade global da ficha de produto, informação disponibilizada e respectivo formato de apresentação, relativa aos requisitos de conceção ecológica;
  • 64% de conformidade na identificação do programa de lavagem na máquina de lavar;
  • 38% de conformidade das informações de conceção ecológica a disponibilizar no manual de instruções.

Porém, o mais surpreendente é que considerando todos os requisitos, a taxa de conformidade é de apenas 30%. A maioria das não conformidades detetadas refere-se à falta de informação a disponibilizar ao consumidor e aos requisitos específicos não técnicos das máquinas de lavar roupa. Portanto, pelo menos nos casos analisados, onde é que os fabricantes estão a falhar? Na listagem seguinte são apresentados os parâmetros normalmente em falta, nas máquinas testadas. De referir que o número de dados em falta variou de modelo para modelo:

  • sem indicação ou indicação mal feita, do programa de lavagem normal de algodão a 60ºC e do programa normal de lavagem a 40ºC;
  • sem indicação, para os principais programas de lavagem em plena carga ou carga pacial, sobre: duração do programa, teor de humidade restante e consumos de energia e água;
  • sem indicação do consumo, em termos de potência, no estado de desativação e estado inativo;
  • sem informação sobre se os programas de lavagem normal são adequados para a lavagem de roupa de algodão com grau de sujidade normal;
  • sem recomendação sobre o tipo de detergentes adequados para as várias temperaturas de lavagem.

Embora os principais elementos de consumo de energia e água estejam presentes, o que é de louvar, os consumidores podem sentir-se desiludidos pelos 70% de falta de informação e incumprimento dos requisitos genéricos. E esta questão não é redundante.

Estas máquinas, à semelhança de qualquer ensaio realizado em condições laboratoriais, foram testadas sob condições específicas e controladas por toda a Europa, segundo a norma EN60456:2011. Esta norma, concebida para testar de forma repetível e reprodutível e refletir o uso diário dado à máquina de lavar roupa, permite identificar a sua classe de eficiência energética para que lhe seja atribuída uma etiqueta como a seguinte:

maquinaslavarroupa

O problema é que o cálculo da classe energética é baseado no consumo de energia nos ciclos de lavagem de algodão a 60ºC e a 40ºC, em plena carga e carga parcial (e noutros parâmetros como a capacidade de carga, os consumos nos estados de desativação e inativo e a duração do programa, considerando 220 ciclos de lavagem anual) – que são precisamente as informações mais em falta.

Este facto levanta a seguinte questão: será que o potencial máximo da etiqueta energética pode ser atingido se os consumidores não conhecerem os ciclos mais eficientes? E quais são as perdas resultantes dessa falta de conhecimento? Mais ainda, o que acontece às poupanças energéticas quando uma máquina é classificada como altamente eficiente, se for utilizada de uma forma, mas o consumidor por desconhecê-la, a usa de outra forma? Um artigo recente sobre caldeiras revelou que podem existir perdas significativas para o ambiente e para consumidores quando os aquecedores de água são testados de uma forma e utilizados de outra.
Se assumirmos que a máquina de lavar roupa é testada de acordo com o seu uso mais eficiente (e porque é que o fabricante não haveria de testar a sua máquina segundo a forma mais eficiente de utilização para obter a melhor classificação energética?), então podemos presumir que todos os outros ciclos e modos consomem mais energia ou mais água, ou ambos. E como pode o consumidor usar este modo se este não se encontra identificado? Sem o conhecer, é possível que haja um aumento no custo de utilização da máquina, com consequentes encargos para o consumidor, mas também com implicações nas poupanças globais esperadas pela adoção destes regulamentos.

Portanto, se por um lado se devem elogiar os esforços dos fabricantes, por outro há que reconhecer que há ainda muito a fazer. Obter 100% é impressionante, mas fazendo uma analogia, quem é que conseguindo responder corretamente a 6 questões de um questionário de 10 depois anuncia que conseguiu responder a “100% das 6 questões corretamente”? 100% de conformidade de uma parte dos requisitos não são 100% de conformidade da legislação ou do seu objetivo, que é proteger os consumidores e garantir igualdade de mercado para que os fabricantes possam produzir produtos cada vez melhores. Apela-se às autoridades de fiscalização Europeias que continuem a sua atividade de identificação e imposição de ações corretivas para assegurar que os direitos dos consumidores são protegidos e que as poupanças energéticas, cruciais para o ambiente, sejam obtidas.

Adaptado do original preparado por Alun Jones (ECOS)

Testes Market Watch a 10 categorias de produtos

A partir de Setembro 2014 iniciam os testes para determinar o desempenho energético de 100 produtos e compará-lo com o declarado pela respetiva etiqueta. Esta fase de testes é coordenada por Tom Lock, Gestor de Certificação do Energy Saving Trust, que justifica a sua pertinência pelo facto da Comissão Europeia ter reconhecido, há alguns anos, a necessidade de maior vigilância sobre os produtos, após um estudo ter demonstrado que um em cinco produtos apresentava dados energéticos incorretos na etiqueta.

Durante o próximo ano serão realizados testes em duas fases: na primeira, será feito um rastreio a 10 categorias de produto para identificar indícios de não conformidades em relação à legislação sobre rotulagem energética ou conceção ecológica de produtos, e na segunda fase, testes completos, realizados em laboratórios acreditados.

Os testes simplificados de rastreio abrangem secadores de roupa, máquinas de lavar louça e roupa, televisores, aspiradores, lâmpadas, set top boxes, fornos elétricos, frigoríficos e consumo de standby em várias categorias de produto. As metodologias elaboradas por um grupo técnico do consórcio foram validadas por um painel de peritos externo, de forma a garantir a sua solidez.

Após esta fase serão selecionados 20 produtos a submeter a testes completos em laboratório. Estes produtos ainda não foram escolhidos, mas serão representativos entre os geralmente utilizados pela maioria dos consumidores. Os laboratórios serão escolhidos entre os melhores, na Europa, para cada categoria de produto.

Nesta fase o consórcio manter-se-á em contacto com as diversas entidades nacionais para evitar a duplicação de testes e encorajá-las a utilizar os resultados. Os fabricantes dos produtos que resultarem não conformes serão contactados para proceder à sua retificação e o consórcio reserva-se no direito de comunicar estas situações às respetivas autoridades.

O consórcio espera poder colaborar com as associações industriais como o CECED, cujo representante, ainda este ano, solicitou mais fiscalização de mercado. Desta forma é possível garantir condições de mercado que beneficiem as empresas que cumprem a legislação.

Etiquetas energéticas à distância de um clique

Saiba mais sobre as etiquetas energéticas com o guia de bolso que a Quercus preparou, especificamente para os assistentes de venda e técnicos que lidam com aparelhos domésticos sujeitos ao sistema de rotulagem.
Guia_Etiquetas_2ªEdicao
A explicação de cada uma das etiquetas energéticas atualmente em vigor, as regras que os produtores e distribuidores têm que cumprir, a normativa, o calendário de aplicação, entre outros, são os temas abordados neste guia de setenta páginas. Para obter uma cópia digital clique aqui, e se pretender um exemplar impresso do guia, envie um email para marketwatch@quercus.pt.

Frigoríficos “pouco frescos” retirados do mercado

Um modelo fabricado pela Glen Dimplex resultou menos eficiente do que o declarado dado que consumia, em média, 14,5% mais energia de quanto constava na sua etiqueta energética A+. Mais de 1000 modelos foram colocados no mercado antes da intervenção do organismo nacional de medições britânico. A empresa agiu de imediato, impedido a importação e venda de mais modelos e, para além das medidas de compensação que vai ter que implementar, fez uma doação voluntária a projetos de cariz ambiental. Esta situação demonstra a importância da fiscalização de mercado. Mais informações aqui.

Fabricantes do Reino Unido apanhados a falsificar etiquetas

Fabricantes do Reino Unido foram apanhados a falsificar o desempenho energético dos fornos para uso doméstico. A autoridade de fiscalização de mercado inglesa descobriu que um em cada quatro fornos disponíveis no mercado tinha a etiqueta energética com classificação errada, implicando perdas anuais de 700.000 libras (quase 850.000€) em energia, aos consumidores. O organismo nacional de medições britânico concluiu que os fabricantes desrespeitaram as regras ao abusarem das margens de erro dos ensaios para declararem melhor classificação energética, o que constitui uma valiosa jogada de marketing. As empresas cooperaram com as autoridades e não contestaram as acusações. Esta situação demonstra que os consumidores só têm a beneficiar com uma autoridade de mercado interventiva. Mais informações aqui.

Multa pesada para fabricante de LED’s

A pedido da Comissão Federal do Comércio dos EUA (FTC), um tribunal federal condenou um fabricante de lâmpadas LED a pagar uma multa de 21 milhões de dólares. O fabricante declarou nas embalagens das lâmpadas e em material promocional valores de tempo de vida e fluxo luminoso superiores aos reais. Grande parte do valor da multa servirá para reembolsar os consumidores lesados. Mais informações aqui.