Um em cinco eletrodomésticos testados pelo MarketWatch consome mais energia do que o declarado

O MarketWatch encarregou laboratórios acreditados de verificar a conformidade de produtos com a legislação europeia de eficiência energética, seguindo as metodologias oficiais.

No total foram encontrados 18 produtos que não respeitam a legislação. Somando o consumo extra, originado pela diferença entre os consumos declarados e os medidos, atinge-se o valor de quase 300€ em custos com eletricidade não declarada, que é consumida ao longo do tempo de vida destes aparelhos.

Para ler o comunicado completo, clique aqui, e para mais informações sobre os testes e resultados, consulte o relatório completo.

Saiba como verificar alguns requisitos de etiquetagem e conceção ecológica nos aparelhos à venda nas lojas

As etiquetas energéticas são uma ferramenta fundamental para orientar o consumidor nas suas escolhas. Para tal, deve ser corretamente exibida nos produtos à venda nas lojas físicas e online.

O consórcio do MarketWatch preparou um guia para que ONG’s e consumidores possam verificar alguns dos requisitos de etiquetagem energética e de conceção ecológica.

Para qualquer esclarecimento sobre esta matéria entre em contacto connosco.

 

Informação em falta; objetivo falhado

Os resultados finais do Projeto ATLETE II foram uma agradável surpresa para quem trabalha em Rotulagem Energética e Conceção Ecológica. O projeto uniu fabricantes, ONGs, agências de energia e especialistas, com a missão de averiguar se as máquinas de lavar roupa, um eletrodoméstico com peso relevante no consumo energético, cumpriam os regulamentos de conceção ecológica e rotulagem energética. O resultado foi 100% de conformidade em relação à classe energética, consumo de energia e aos requisitos mínimos, definidos no regulamento de conceção ecológica, para o consumo de água e energia. Uma melhoria considerável em relação aos resultados do projeto ATLETE I, o que é sem dúvida positivo! Os fabricantes estão a respeitar as diretivas e a Europa está a beneficiar da redução no consumo energético. Mas qual será o resto da história?
As seguintes percentagens referem-se às taxas de conformidade das máquinas de lavar roupa testadas:

  • 92% de conformidade global em relação aos parâmetros de desempenho funcional (por exemplo, centrifugação);
  • 84% de conformidade global da ficha de produto, informação disponibilizada e respectivo formato de apresentação, relativa aos requisitos de conceção ecológica;
  • 64% de conformidade na identificação do programa de lavagem na máquina de lavar;
  • 38% de conformidade das informações de conceção ecológica a disponibilizar no manual de instruções.

Porém, o mais surpreendente é que considerando todos os requisitos, a taxa de conformidade é de apenas 30%. A maioria das não conformidades detetadas refere-se à falta de informação a disponibilizar ao consumidor e aos requisitos específicos não técnicos das máquinas de lavar roupa. Portanto, pelo menos nos casos analisados, onde é que os fabricantes estão a falhar? Na listagem seguinte são apresentados os parâmetros normalmente em falta, nas máquinas testadas. De referir que o número de dados em falta variou de modelo para modelo:

  • sem indicação ou indicação mal feita, do programa de lavagem normal de algodão a 60ºC e do programa normal de lavagem a 40ºC;
  • sem indicação, para os principais programas de lavagem em plena carga ou carga pacial, sobre: duração do programa, teor de humidade restante e consumos de energia e água;
  • sem indicação do consumo, em termos de potência, no estado de desativação e estado inativo;
  • sem informação sobre se os programas de lavagem normal são adequados para a lavagem de roupa de algodão com grau de sujidade normal;
  • sem recomendação sobre o tipo de detergentes adequados para as várias temperaturas de lavagem.

Embora os principais elementos de consumo de energia e água estejam presentes, o que é de louvar, os consumidores podem sentir-se desiludidos pelos 70% de falta de informação e incumprimento dos requisitos genéricos. E esta questão não é redundante.

Estas máquinas, à semelhança de qualquer ensaio realizado em condições laboratoriais, foram testadas sob condições específicas e controladas por toda a Europa, segundo a norma EN60456:2011. Esta norma, concebida para testar de forma repetível e reprodutível e refletir o uso diário dado à máquina de lavar roupa, permite identificar a sua classe de eficiência energética para que lhe seja atribuída uma etiqueta como a seguinte:

maquinaslavarroupa

O problema é que o cálculo da classe energética é baseado no consumo de energia nos ciclos de lavagem de algodão a 60ºC e a 40ºC, em plena carga e carga parcial (e noutros parâmetros como a capacidade de carga, os consumos nos estados de desativação e inativo e a duração do programa, considerando 220 ciclos de lavagem anual) – que são precisamente as informações mais em falta.

Este facto levanta a seguinte questão: será que o potencial máximo da etiqueta energética pode ser atingido se os consumidores não conhecerem os ciclos mais eficientes? E quais são as perdas resultantes dessa falta de conhecimento? Mais ainda, o que acontece às poupanças energéticas quando uma máquina é classificada como altamente eficiente, se for utilizada de uma forma, mas o consumidor por desconhecê-la, a usa de outra forma? Um artigo recente sobre caldeiras revelou que podem existir perdas significativas para o ambiente e para consumidores quando os aquecedores de água são testados de uma forma e utilizados de outra.
Se assumirmos que a máquina de lavar roupa é testada de acordo com o seu uso mais eficiente (e porque é que o fabricante não haveria de testar a sua máquina segundo a forma mais eficiente de utilização para obter a melhor classificação energética?), então podemos presumir que todos os outros ciclos e modos consomem mais energia ou mais água, ou ambos. E como pode o consumidor usar este modo se este não se encontra identificado? Sem o conhecer, é possível que haja um aumento no custo de utilização da máquina, com consequentes encargos para o consumidor, mas também com implicações nas poupanças globais esperadas pela adoção destes regulamentos.

Portanto, se por um lado se devem elogiar os esforços dos fabricantes, por outro há que reconhecer que há ainda muito a fazer. Obter 100% é impressionante, mas fazendo uma analogia, quem é que conseguindo responder corretamente a 6 questões de um questionário de 10 depois anuncia que conseguiu responder a “100% das 6 questões corretamente”? 100% de conformidade de uma parte dos requisitos não são 100% de conformidade da legislação ou do seu objetivo, que é proteger os consumidores e garantir igualdade de mercado para que os fabricantes possam produzir produtos cada vez melhores. Apela-se às autoridades de fiscalização Europeias que continuem a sua atividade de identificação e imposição de ações corretivas para assegurar que os direitos dos consumidores são protegidos e que as poupanças energéticas, cruciais para o ambiente, sejam obtidas.

Adaptado do original preparado por Alun Jones (ECOS)

Nova fase de visitas às lojas a começar em breve

O Projecto Market Watch irá iniciar em breve a segunda fase de visitas às lojas abrangendo 110 lojas físicas e 110 lojas online , nos 11 países participantes. Desta vez as visitas às lojas online decorrerão numa fase posterior, de forma a aguardar a entrada em vigor, em Janeiro de 2015, das novas regras de rotulagem de produtos online. As lojas que apresentaram, na primeira fase, os resultados menos favoráveis vão ser visitadas novamente ao mesmo tempo que decorrem os contactos com os retalhistas e as autoridades nacionais. A categoria dos aspiradores, recentemente sujeita à etiqueta energética, vai também ser incluída nesta nova fase de visitas.

Etiquetas energéticas à distância de um clique

Saiba mais sobre as etiquetas energéticas com o guia de bolso que a Quercus preparou, especificamente para os assistentes de venda e técnicos que lidam com aparelhos domésticos sujeitos ao sistema de rotulagem.
Guia_Etiquetas_2ªEdicao
A explicação de cada uma das etiquetas energéticas atualmente em vigor, as regras que os produtores e distribuidores têm que cumprir, a normativa, o calendário de aplicação, entre outros, são os temas abordados neste guia de setenta páginas. Para obter uma cópia digital clique aqui, e se pretender um exemplar impresso do guia, envie um email para marketwatch@quercus.pt.

Retalhistas europeus de lojas online não fornecem informação exigida por lei sobre equipamentos domésticos

O Projeto MarketWatch visitou 225 lojas em onze países europeus e encontrou vários problemas relacionados com a etiquetagem energética dos produtos, em particular nas lojas online. A não conformidade determinada nas lojas físicas foi de 12% enquanto a das lojas online chegou aos 54%.
Consulte o comunicado (em Português) e o relatório completo (em Inglês).

Resultados de projetos IEE

Os resultados de outros projetos IEE (Energia Inteligente – Europa) estão disponíveis no site MarketWatch. Enquanto se concluem as atividades de verificação das lojas publicamos os resultados obtidos no Atlete 1 (frigoríficos e congeladores) e PremiumLight (lâmpadas) e outros resultados de projetos IEE serão também divulgados no futuro. Para os ver aceda à página Informações sobre Produtos & Lojas.

AMAZON condenada na Alemanha

Boas notícias do tribunal de Colónia, na Alemanha, onde a Amazon.de foi condenada a cumprir os requisitos da Diretiva sobre Rotulagem Energética de produtos que indica a informação das etiquetas energéticas a fornecer nas vendas online. Até hoje, o gigante online nem sempre facultou esta informação que ajuda os consumidores a escolher os melhores produtos. O tribunal quer que a informação das etiquetas energéticas seja disponibilizada mesmo nas páginas de resumo das caraterísticas dos produtos. Mais informações no site da VZVB, parceiro alemão do projeto MarketWatch.